sexta-feira, janeiro 27, 2012
quinta-feira, maio 22, 2008
Euro 2008
Caros leitores (?!), gostava de prestar aqui, a minha homenagem a esse grande evento desportivo que se aproxima no tempo e na emoção.
O campeonato Europeu de Futebol, já não pode ser visto e sentido como qualquer outro evento mundial, que une em torno dos estádios, dos protagonistas e das televisões, milhões de olhos espectantes por uma manobra vislumbrante de um dos Ronaldos. Sobretudo para nós, portugueses, que sofremos uma verdadeira lavagem cerebral, qual retorno benéfico às vísceras (lá estão) do nosso patriotismo. O último campeonato europeu fez-nos muito! Não só aprendemos sobre nós mesmos, num esforço comunitário de introspecção e compaixão, como nos enriquecemos, financeira e culturalmente.
E há quem culpe o sôr Scolari (e seu amor pelos mininos), há quem coloque a responsabilidade num amor anterior (Eusébio, Chalana, Gomes, Figo, Rui Costa, eu sei lá quantos...), eu conforto-me em acreditar que é bem mais do que isso: que finalmente activamos instâncias do nosso ser colectivo até aí adormecidas. Acordamos para o futebol e para o euro. Percebemos que temos valor e não somos os coitadinhos que até aqui sempre nos gabamos de ser, quase como identidade internacional, fenómeno existencial de insignificância, proporcional à nossa área geográfica, reforçada por todos esses morcões que nos confundem com uma província espanhola. Não se esqueçam, ó senhores, que já colonizamos meio mundo, num tempo em que meio mundo não sabia que o era. O Europeu teve este mérito: devolveu a todas as classes e credos de portugueses, aquela alma única, una, motivadora, ansiógena q.b., ao ponto de nos aproximar do objectivo mais essencial da própria vida - sermos felizes com o que temos, tendo um argumento de verdade universal, que sabemos e citamos de peito erguido e pulmões sonantes.
É isto que espero deste europeu. Que já não é no nosso quintal, mas é perto o suficiente para todos em uníssono, clamarmos como Camões aos deuses e ninfas, o poema comum de Portugal, nutrindo de engenho e arte aqueles que por nós, vão comer relva e chorar sangue.
Ás armas, ás armas! Força jogadores, força Portugal, que se não ganhardes nada, já nos provaste que és maior que todos esses grandes!
O campeonato Europeu de Futebol, já não pode ser visto e sentido como qualquer outro evento mundial, que une em torno dos estádios, dos protagonistas e das televisões, milhões de olhos espectantes por uma manobra vislumbrante de um dos Ronaldos. Sobretudo para nós, portugueses, que sofremos uma verdadeira lavagem cerebral, qual retorno benéfico às vísceras (lá estão) do nosso patriotismo. O último campeonato europeu fez-nos muito! Não só aprendemos sobre nós mesmos, num esforço comunitário de introspecção e compaixão, como nos enriquecemos, financeira e culturalmente.
E há quem culpe o sôr Scolari (e seu amor pelos mininos), há quem coloque a responsabilidade num amor anterior (Eusébio, Chalana, Gomes, Figo, Rui Costa, eu sei lá quantos...), eu conforto-me em acreditar que é bem mais do que isso: que finalmente activamos instâncias do nosso ser colectivo até aí adormecidas. Acordamos para o futebol e para o euro. Percebemos que temos valor e não somos os coitadinhos que até aqui sempre nos gabamos de ser, quase como identidade internacional, fenómeno existencial de insignificância, proporcional à nossa área geográfica, reforçada por todos esses morcões que nos confundem com uma província espanhola. Não se esqueçam, ó senhores, que já colonizamos meio mundo, num tempo em que meio mundo não sabia que o era. O Europeu teve este mérito: devolveu a todas as classes e credos de portugueses, aquela alma única, una, motivadora, ansiógena q.b., ao ponto de nos aproximar do objectivo mais essencial da própria vida - sermos felizes com o que temos, tendo um argumento de verdade universal, que sabemos e citamos de peito erguido e pulmões sonantes.
É isto que espero deste europeu. Que já não é no nosso quintal, mas é perto o suficiente para todos em uníssono, clamarmos como Camões aos deuses e ninfas, o poema comum de Portugal, nutrindo de engenho e arte aqueles que por nós, vão comer relva e chorar sangue.
Ás armas, ás armas! Força jogadores, força Portugal, que se não ganhardes nada, já nos provaste que és maior que todos esses grandes!
terça-feira, dezembro 04, 2007
Belo dia...
"Minuto 41 do clássico que apaixona o povo. Lucho ganha a bola a meio campo e isola Quaresma... Começava a magia: mustang a tocar o red line, finta de corpo, David Luiz nas cordas e, com a trivela que a Luz nunca vislumbrara, aí estava o 0-1." in A Bola
Está tudo dito não? Abraço aos amigos mouros, gostei de visitar a vossa casa, sem cinismo, mas enquanto houver magia no futebol, e esperemos que não acabe, vamos poder ver destas coisas...
http://www.youtube.com/watch?v=XE-TrkMh4ow
(o video...)

Está tudo dito não? Abraço aos amigos mouros, gostei de visitar a vossa casa, sem cinismo, mas enquanto houver magia no futebol, e esperemos que não acabe, vamos poder ver destas coisas...
http://www.youtube.com/watch?v=XE-TrkMh4ow
(o video...)

terça-feira, setembro 18, 2007
Vísceras (episódio terceiro)
Evelyn entrara nessa noite naquela bar com um único objectivo: beber! Beber muito pelas mesmas razões de sempre. Esquecer que aquele dia existira, afogar nalgum nevoeiro passageiro um acontecimento demasiado pesado para ser suportado de pálpebras erguidas e pupilas dilatadas. Evelyn entrara nessa noite naquele bar sem pensar se o conhecia ou se vendia o que ela precisava. Ao terceiro shot de tequila percebia que não encontrava o antídoto correcto, nem vislumbrava na panóplia de medicamentos expostos, o seu.
- O que tem de mais forte?
- Aguardente, Whisky... não sei Senhora... - o empregado do bar hesitava nas palavras, treinado de ver rostos com aquela expressão. Sabia que, no final da noite, era para ele que iriam "as sobras".
Evelyn entrara nessa noite naquele bar e, aparentemente, não havia ninguém à sua volta. À medida que o seu copo se tornava mais curto, as pessoas iam desaparecendo. Os seus músculos também cediam. Decide sentar-se numa mesa e deixar o balcão. Encosta-se e finalmente começa a sentir no cérebro o alcóol - "E que tudo o mais vá pró inferno..." - tentava cantarolar já com os lábios sem controlo nervoso total.
Passaram-se 40 minutos desde que entrara naquele bar. Mas não era Evelyn quem contava o tempo. Ao fim de uma hora, Evelyn já não contava mesmo nada: somente os quadrados simétricos das figuras dos azulejos da mesa onde estava. Ora para cima, ora para baixo. Azuis, vermelhos, espelhados, negros, alguns molhados e riscados. Quadrados. Simples. 1, 2, 3, 4... finalmente como ela desejava. Encontrou a clareza da emoção na névoa cerrada do seu estado alcoolico. Quadrados. Nada mais. Remédio que demora a actuar, mas cura, por agora.
- O que tem de mais forte?
- Aguardente, Whisky... não sei Senhora... - o empregado do bar hesitava nas palavras, treinado de ver rostos com aquela expressão. Sabia que, no final da noite, era para ele que iriam "as sobras".
Evelyn entrara nessa noite naquele bar e, aparentemente, não havia ninguém à sua volta. À medida que o seu copo se tornava mais curto, as pessoas iam desaparecendo. Os seus músculos também cediam. Decide sentar-se numa mesa e deixar o balcão. Encosta-se e finalmente começa a sentir no cérebro o alcóol - "E que tudo o mais vá pró inferno..." - tentava cantarolar já com os lábios sem controlo nervoso total.
Passaram-se 40 minutos desde que entrara naquele bar. Mas não era Evelyn quem contava o tempo. Ao fim de uma hora, Evelyn já não contava mesmo nada: somente os quadrados simétricos das figuras dos azulejos da mesa onde estava. Ora para cima, ora para baixo. Azuis, vermelhos, espelhados, negros, alguns molhados e riscados. Quadrados. Simples. 1, 2, 3, 4... finalmente como ela desejava. Encontrou a clareza da emoção na névoa cerrada do seu estado alcoolico. Quadrados. Nada mais. Remédio que demora a actuar, mas cura, por agora.
quarta-feira, julho 18, 2007
Vísceras (episódio segundo)
Salomon encontrava-se em transição. Não se tratava de uma fase típica da adolescência, pois essa, segundo a norma, já deveria ter findado há alguns anos. Tratava-se antes de um momento de consolidação. O resultado inevitável, da experiência vital. Um momento em que as coisas têm de ficar a fazer sentido, em que o homem tem de estruturar-se novamente. Por dentro. Para que o mundo possa continuar a contar com a sua presença, sem que um e outro, mundo e homem, causem danos mútuos, por muito utópico que seja esse equilíbrio...
Começara tudo num dia pelas 21h. Já passara um mês inteiro, mas as coisas ainda se podem considerar "frescas". E que frescura! Ninguém iria adivinhar que uma simples saída para café, numa quinta-feira de um mês de Novembro, pudesse ser preenchida com uma amplitude de sentimentos tão volumosa. E que volume! Ela não seria vista por muitos como linda, mas não haveria olhar que não a notasse, sempre acompanhado de um pensamento pecaminoso e a respectiva tentativa introspectiva de o reprimir. "Não! Como podes?!", Salomon não era diferente de outro homem... Teria, talvez, poucos motivos para agir de forma espontânea, escaldado de algumas investidas infortuitas e cortantes, mas era usual deixar-se fluir na corrente do pensamento... Talvez isso o distinguisse. Talvez ele quisesse pensar que sim. Que era diferente, irreverente ao seu jeito. Naquele minuto não foi. "Porquê?". A dúvida apressa-lhe na mente sem uma explicação satisfatória. "Pensar não é pecado...", não? "Há muito que vendi a minha vaga junto d'Ele...", porquê? "Até podia ser desta... que estou eu a pensar?".
- Beer please!
E a reflexão continuou de forma serena na sua mente, olhos postos em Evelyn.
(continua)
Começara tudo num dia pelas 21h. Já passara um mês inteiro, mas as coisas ainda se podem considerar "frescas". E que frescura! Ninguém iria adivinhar que uma simples saída para café, numa quinta-feira de um mês de Novembro, pudesse ser preenchida com uma amplitude de sentimentos tão volumosa. E que volume! Ela não seria vista por muitos como linda, mas não haveria olhar que não a notasse, sempre acompanhado de um pensamento pecaminoso e a respectiva tentativa introspectiva de o reprimir. "Não! Como podes?!", Salomon não era diferente de outro homem... Teria, talvez, poucos motivos para agir de forma espontânea, escaldado de algumas investidas infortuitas e cortantes, mas era usual deixar-se fluir na corrente do pensamento... Talvez isso o distinguisse. Talvez ele quisesse pensar que sim. Que era diferente, irreverente ao seu jeito. Naquele minuto não foi. "Porquê?". A dúvida apressa-lhe na mente sem uma explicação satisfatória. "Pensar não é pecado...", não? "Há muito que vendi a minha vaga junto d'Ele...", porquê? "Até podia ser desta... que estou eu a pensar?".
- Beer please!
E a reflexão continuou de forma serena na sua mente, olhos postos em Evelyn.
(continua)
segunda-feira, julho 09, 2007
Vísceras (Episódio primeiro)
Ambientem-se:
Era fim de tarde. Quase todos os sentidos estavam incomodados pela ausência vertiginosa de um vento que se apressava a contornar os objectos. Uma maresia brutal, algo que habitualmente obriga a contrair com veemência os músculos do rosto e todos os restantes. Um cansaço inexplicável para os que se aventuram a permanecer junto ao mar. Salomon era um deles.
Fascinado com o desaparecimento das pegadas caninas na areia húmida, deixara-se apoderar por aquela natureza viva. Ao ponto de abstracção do seu corpo, ignorando os alarmes. Os lábios já haviam mudado ligeiramente de cor, mas o seu olhar denunciava uma percepção em escala de cinzento. Alguém que não está a ver o mar: está a ver o mundo a desaparecer.
Seria difícil aos que olhassem, distinguir entre o vulto do seu polar e a aura da sua tristeza. Mas ninguém saberia que aquele homem, poderia ter-lhes mudado a vida...
(continua)
Era fim de tarde. Quase todos os sentidos estavam incomodados pela ausência vertiginosa de um vento que se apressava a contornar os objectos. Uma maresia brutal, algo que habitualmente obriga a contrair com veemência os músculos do rosto e todos os restantes. Um cansaço inexplicável para os que se aventuram a permanecer junto ao mar. Salomon era um deles.
Fascinado com o desaparecimento das pegadas caninas na areia húmida, deixara-se apoderar por aquela natureza viva. Ao ponto de abstracção do seu corpo, ignorando os alarmes. Os lábios já haviam mudado ligeiramente de cor, mas o seu olhar denunciava uma percepção em escala de cinzento. Alguém que não está a ver o mar: está a ver o mundo a desaparecer.
Seria difícil aos que olhassem, distinguir entre o vulto do seu polar e a aura da sua tristeza. Mas ninguém saberia que aquele homem, poderia ter-lhes mudado a vida...
(continua)
quinta-feira, julho 05, 2007
Cara lavada, casa arrumada...
É com enorme gosto e prazer na ponta dos dedos que pretendo presentear a comunidade Blogista com este rejuvenescer, qual pensamento iluminista, fénix de novo erguida das cinzas, Sebastião enevoeirado nas entranhas: o Verão!
Quem quero eu enganar? Mas tudo se encaixa: o poder Primaveril/hormonal deste ano, ficou algo adiado, em muito devido à nossa utilização dessas mesmas "fases climáticas" (só isto dá tema para outro blog), pelo que a panóplia de bizarrias comportamentais típicas, só agora se manifestam! Ele é chinelos, tops, pernas de pau, t-shirts, mini-skirts, epás, mini-meias, cabriolets, calipos, contratações de merda pró Benfica, cremes bronzeadores, máquinas de ar condicionado, muita, muita guita gasta em gota na fila para a praia mais próxima, enfim... uma série de coisas que, tendencialmente, se farão por esta altura e até um pouco mais tarde. Isso e isto: uma nova força motivacional, qual pirâmide de Maslow, uma necessidade explícita de escrevinhar para todo o mundo, sobre todo o mundo, o que inclui toda a comunidade executante de comportamento a "descair" pró bizarro, incluindo, gajas, claro está (na mais afectuosamente bizarra concepção da palavra, claro está está!).
De maneiras que... "é absolutamente inevitável esta cimeira" (retirado do discurso do Sr. Prime Minister ontem entrevistado em conjunto com o Presidentxi do Brasil, carinhosamente apelidado pela sua plebe com um nome feminino alusivo a um molusco cuspidor de tinta, não apenas na sua fase mentrual, mas também sempre que o arreliam em demasia, sobretudo negando-lhe a componente carnavalesca), entre o que nos vai na tola e o, já referido, prazer sentido na pontinha dos dedos... vá lá ver, pretende-se com este, apelar aos escribãos deste humilde canto, alguma actividade semelhante à sísmica, com epicentro nos respectivos hipotálamos, por forma a caracterizar da mais grotesca forma, a realidade circundante, com múltiplas figuras de estilo a embelezar, como a tradição exige e a inovação se esforça por igualar.
Considere-se o mote dado: pintou-se uma tela, "grafou-se" este belo exemplar pós-moderno-verborreico-identificante-desta-era-por-alguns-chamada-rasca-ista, de tal modo que até disfarçados, não seremos identificados. Mas adiante que se faz tarde... vamos a animar isto?
Venham elas!
Quem quero eu enganar? Mas tudo se encaixa: o poder Primaveril/hormonal deste ano, ficou algo adiado, em muito devido à nossa utilização dessas mesmas "fases climáticas" (só isto dá tema para outro blog), pelo que a panóplia de bizarrias comportamentais típicas, só agora se manifestam! Ele é chinelos, tops, pernas de pau, t-shirts, mini-skirts, epás, mini-meias, cabriolets, calipos, contratações de merda pró Benfica, cremes bronzeadores, máquinas de ar condicionado, muita, muita guita gasta em gota na fila para a praia mais próxima, enfim... uma série de coisas que, tendencialmente, se farão por esta altura e até um pouco mais tarde. Isso e isto: uma nova força motivacional, qual pirâmide de Maslow, uma necessidade explícita de escrevinhar para todo o mundo, sobre todo o mundo, o que inclui toda a comunidade executante de comportamento a "descair" pró bizarro, incluindo, gajas, claro está (na mais afectuosamente bizarra concepção da palavra, claro está está!).
De maneiras que... "é absolutamente inevitável esta cimeira" (retirado do discurso do Sr. Prime Minister ontem entrevistado em conjunto com o Presidentxi do Brasil, carinhosamente apelidado pela sua plebe com um nome feminino alusivo a um molusco cuspidor de tinta, não apenas na sua fase mentrual, mas também sempre que o arreliam em demasia, sobretudo negando-lhe a componente carnavalesca), entre o que nos vai na tola e o, já referido, prazer sentido na pontinha dos dedos... vá lá ver, pretende-se com este, apelar aos escribãos deste humilde canto, alguma actividade semelhante à sísmica, com epicentro nos respectivos hipotálamos, por forma a caracterizar da mais grotesca forma, a realidade circundante, com múltiplas figuras de estilo a embelezar, como a tradição exige e a inovação se esforça por igualar.
Considere-se o mote dado: pintou-se uma tela, "grafou-se" este belo exemplar pós-moderno-verborreico-identificante-desta-era-por-alguns-chamada-rasca-ista, de tal modo que até disfarçados, não seremos identificados. Mas adiante que se faz tarde... vamos a animar isto?
Venham elas!
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