quinta-feira, maio 22, 2008

Euro 2008

Caros leitores (?!), gostava de prestar aqui, a minha homenagem a esse grande evento desportivo que se aproxima no tempo e na emoção.
O campeonato Europeu de Futebol, já não pode ser visto e sentido como qualquer outro evento mundial, que une em torno dos estádios, dos protagonistas e das televisões, milhões de olhos espectantes por uma manobra vislumbrante de um dos Ronaldos. Sobretudo para nós, portugueses, que sofremos uma verdadeira lavagem cerebral, qual retorno benéfico às vísceras (lá estão) do nosso patriotismo. O último campeonato europeu fez-nos muito! Não só aprendemos sobre nós mesmos, num esforço comunitário de introspecção e compaixão, como nos enriquecemos, financeira e culturalmente.
E há quem culpe o sôr Scolari (e seu amor pelos mininos), há quem coloque a responsabilidade num amor anterior (Eusébio, Chalana, Gomes, Figo, Rui Costa, eu sei lá quantos...), eu conforto-me em acreditar que é bem mais do que isso: que finalmente activamos instâncias do nosso ser colectivo até aí adormecidas. Acordamos para o futebol e para o euro. Percebemos que temos valor e não somos os coitadinhos que até aqui sempre nos gabamos de ser, quase como identidade internacional, fenómeno existencial de insignificância, proporcional à nossa área geográfica, reforçada por todos esses morcões que nos confundem com uma província espanhola. Não se esqueçam, ó senhores, que já colonizamos meio mundo, num tempo em que meio mundo não sabia que o era. O Europeu teve este mérito: devolveu a todas as classes e credos de portugueses, aquela alma única, una, motivadora, ansiógena q.b., ao ponto de nos aproximar do objectivo mais essencial da própria vida - sermos felizes com o que temos, tendo um argumento de verdade universal, que sabemos e citamos de peito erguido e pulmões sonantes.
É isto que espero deste europeu. Que já não é no nosso quintal, mas é perto o suficiente para todos em uníssono, clamarmos como Camões aos deuses e ninfas, o poema comum de Portugal, nutrindo de engenho e arte aqueles que por nós, vão comer relva e chorar sangue.
Ás armas, ás armas! Força jogadores, força Portugal, que se não ganhardes nada, já nos provaste que és maior que todos esses grandes!